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sexta-feira, 8 de abril de 2011

É Essa a Solução? Não Acredito Que Seja!


Podia escrever um certo número de parágrafos a tentar explicar porque não concordo que a única solução apresentada para o problema de insegurança (gangs/thugs) que temos no país, especificamente em São Vicente cuja realidade conheço melhor,  seja apenas o aumento do policiamento das ruas. Um trabalho que infelizmente, nem sempre é conduzido da melhor forma ou por gente capaz.

Mas, alguém já o fez. E expôs cronológicamente o grande falhanço que  foi e tem sido o uso da "força" policial e ou militar em Cabo Verde como forma exclusiva de combater esse aumento progressivo de insegurança que assola o país. Caro leitor, convido-o a ler este artigo escrito pelo Dai Varela no seu Blog.

Eu acredito em soluções alternativas ou paralelas. Um jovem adolescente cabo-verdiano, desempregado ou excluido do sistema de ensino (exclusão sim, mas essa parte prefiro deixar para um próximo post) não tem muito por onde escolher para ocupar o excesso de "tempo livre". Não lhe é facultado um assistente social presente na zona (e de preferência que seja proveniente da mesma zona deste jovem), não é realmente incentivado para a prática de desportos (Sabemos o quanto custa praticar desporto no nosso país. Muita força de vontade) e actividades artísticas, e nem possui os meios necessários para se auto instruir/capacitar, quando perdeu o direito a frequentar o sistema publico de ensino (essa tal exclusão dissimulada). Alguém que estimo muito dizia-me sempre que "cabeça vazio é ofcina de diab!"

No momento certo vou anunciar o projecto que venho desenvolvendo para ajudar os meus patrícios, jovens como eu, a sairem deste ciclo vicioso de violência e roubo. Bom para não dizeram que é só conversa, dou-vos um "sneak preview" daquilo que será o projecto. Já investi tempo e dinheiro no projecto, e não peço nada em troca a não ser a paz e segurança no país e o contributo de todos, naquilo que puderem. Prefiro que contribuam com conhecimento em certa área ou experiência em determinado assunto. Para que este não seja mais um daqueles projectos que no fim só beneficiam os criadores e gerentes do mesmo. Posso adiantar que já conto com o apoio de alguns cabo-verdianos e insituições de Rotterdam. Até hoje, venho marchando silenciosamente para que este projecto se torne numa realidade e seja um sucesso. E sobretudo tenho tido o cuidado para que não sofra um "hijack" por parte de pessoas que queiram tirar dividendos políticos da situação.

Nesta altura, pela afronta que se vive em Cabo Verde, compreendo que a maioria grite "pau neles". Mas eu e muitos outros diremos "calma ai!", porque não "Livro neles", "internet para eles", "oportunidades iguais as que deste aos teus filhos e sobrinhos também para eles", "presença constante de assistentes sociais para os assitir e dissuadir e não só quando entram em situação de rua ou conflito com a  lei". Justiça não se trata apenas de policias e tribunais!

Não resolveremos esses problemas de delinquência enquanto nos sentarmos nos nossos palácios, a esperar que aquele que não teve o mínimo de oportunidades ou apoio familiar que tivemos pense ou actue na sociedade da mesma forma que nós. Sejamos justos e porque não passar o nosso conhecimento (artístico, desportivo, ciêntífico, etc) a estes jovens como solução alternativa e ou paralela ao policiamento das ruas. Capacita-los a valorizarem a sua pessoa e a respeitarem aqueles que os rodeiam. Pensem nisso, da próxima vez que resolverem precipitadamente gritar "Pau neles!". O pau pode e vêm trocando de mãos (hoje na mão da policia e militares e amanhã nas mãos dos que chamamos de thugs e gangsters). Mas o conhecimento gera uma certa responsabilidade no individuo,  que o leva a agir de forma correcta na maioria das situações que a vida lhe apresenta.

6 comentários:

Carlos Mendes disse...

Boa noite, cabo-verdiano. Olha que tens toda razão sobre a realidade dos "jovens da esquina" em cabo Verde. Infelizmente existem muito voluntarismo por parte de algumas pessoas, de interesses duvidosas, que procuram pregar teorias e cunhar o status quo aos grupos como uma fatalidade ou uma sanguessuga de difícil remoção. Os problemas urbanos em Cabo Verde carecem de várias intervenções que não se reduzem à criação de infraestruturas ou algo do género. Como disseste, o problema é a educação artistica, civica, e o mais importante, o AMOR.O tal "AMOR" de que falo é simples: existe muita indiferência e um certo desprezo por parte de algumas pessoas. Os jovens quadros vêem os jovens de soslaios, como vagabundos ou algo do género. Oferecer um minuto para os jovens é o meio caminho andado. Cada contributo é bem vindo. Acredito que numa conjuntura dificil como essa a solução deve passar pelo engajamento dos que estão mais preparados, que vestem a camisola, para adoptar esse assunto como QUESTÃO NACIONAL. Medida de coação tem "eficácia ineficaz..." Acoite cria ódio, revolta e nunca o entendimento. Açoite envolve o corpo, não a alma, a inteligência e a emoção.

Carlos Mendes: Patrimonium.cv
Ps. Gosto muito deste blogue.

Caboverdiano disse...

Olá Carlos Mendes!

Agradeço-lhe pela visite e pelo comentário!

Alegra-me constatar que existem mais pessoas que acreditam em soluções paralelas ou alternativas para resolver estas questões sensíveis.

Tens razão! Esse AMOR que se me permite, podemos traduzir em "morabeza" e que hoje em dia infelizmente me parece ser apenas uma palavra vazia para atrairmos turistas, é o que realmente temos falta no seio da sociedade cabo-verdiana.

A solidariedade que outrora os cabo-verdianos partilharam entre si e com todos os que nos visitaram tende a desaparecer, e deixa-me muito triste. E já ouvi os mais velhos comentarem que ainda antes de eu nascer (Sou dos anos 80)a solidariedade e camaradagem eram ainda maiores.

Muitos vêm isso como consequência dos problemas trazidos por esses "jovens de esquina". Mas eu, pessoalmente, penso que é precisamente ao contrário. A exclusão sistemática da nossa juventude "desocupada" e dos que aqui chegaram na condição de deportados é o sinal claro de falta de "morabeza" (AMOR) por parte de quem tem palmarejo para pensar e agir melhor perante a nossa juventude.

Como afirmaste e muitíssimo bem "a solução deve passar pelo engajamento dos que estão mais preparados, que vestem a camisola, para adoptar esse assunto como QUESTÃO NACIONAL."

Mais uma vez, muito bem dito, porque trata-se efectivamente de uma questão de todos nós. Um problema de todos nós, uma "questão nacional" sim.

Só que o nosso comportamento perante o problema tem sido tipo avestruz (enterrar a cabeça na areia). É pedir para que instaurem pena de morte, pedir para que os ponha a pau, é pedir para que se faça mil e uma barbaridades com esses jovens em conflito com a lei, enfim...já li de tudo quanto são soluções violentas mas penso que a resolução não passa por estes termos. Que a lei seja aplicada ao transgressor porque também existem as vítimas dos roubos e agressões, e convém não esquecer destas.

Mas devemos começar por estudar as causas, e prevenir para que estas desgraças não se repitam na nossa terra. Interagir com o jovem desocupado antes que este entre em situação de conflito com a lei. Agir na prevenção, digo.

De novo, obrigado pelas linhas que aqui escreveste.

O teu Blog tem como tema central uma questão com a qual simpatizo muito - O património. Essa também é outra questão que merece uma maior atenção da nossa parte. Continue trabalhando em prol do nosso património porque neste teu patrício terás sempre um amigo/admirador.

Sociologia da Cultura, artes plásticas, história da arte e museologia são temas importantes para o nosso futuro e projecção da nossa cultura como factor de atracção de visitantes e turistas. Também para o nosso orgulho, porque trata-se daquilo que é nosso.

Abraço amigo,

Gilson Silva
(Blog Caboverdiano)

daivarela disse...

Olá.
Há dias uma amiga dizia-me que tinha passado 15 anos fora de CV e que quando regressou tinha até medo de sair de casa por causa das (más) noticas sobre insegurança.
Dizia-me que quando saiu de SV havia algumas crianças de rua (os piratinhas) mas que era traquilo andar nas ruas. Agora, dizia, está muito perigoso fazer uma volta.

Perguntei-lhe, sabes o que aconteceu às crianças que viviam na rua? Será que hoje são engenheiros e professores?
- o que aconteceu aos jovens expulsos do Sistema Educativo e que ficaram sem acompanhamento?
- o que aconteceu às jovens grávidas expulsas das Escolas sem acompanhamento?

Nós só estamos colhendo o que plantamos.

Caboverdiano disse...

Olá Dai! Não há como não concordar contigo. Realmente "Nós só estamos colhendo o que plantamos".

Depois de ter passado 2 anos sem visitar Cabo Verde, no mês de Maio do ano passado (2010) 3 horas depois de ter aterrado no aeroporto de São Pedro, eu já estava encostado a parede da COPA (Ex-ADEGA) situada na Rotunda da Ribeira Bote, sendo revistado por um grupo de policias armados até os dentes!

Tudo porque vinha acompanhado de um grupo de colegas que eu fui visitar logo que cheguei e que retribuindo a cortesia vieram-me acompanhar até casa. A hironia era que eles me disseram que vinham comigo para que eu não fossse vítima de um caçu-body. E eu rindo e dizendo que sou mnin de soncent, lá viemos Fonte Francês abaixo até chegarmos a rotunda onde a policia até dirigiu em contra mão só para vir nos encostar a parede como animais (colocando-me os cotovelos nas minhas costas, e a cara contra a parede e tocando partes íntimas do meu corpo, etc). Eles que façam o trabalho deles, mas que sejam mais educados e profissionais. Convém que patrulhem as ruas, mas eu pessoalmente, naquele momento não me senti nada bem tendo acabado de chegar na minha ilha e tratado daquela forma. Como acompanho as notícias e sabia da situação que se vivia em São Vicente, não fiz muito caso do acontecido. Nem nunca escrevi sobre o sucedido até a data de hoje. Mas uma pessoa não se sente a vontade com esse clima de intimação que se criou por não terem dado a devida atenção aos problemas que envolvem a juventude.

Abraço nhe broda!

daivarela disse...

rsssss
tomaste aquilo que se chama "pente fino"
Ainda bem que foi da Policia. Imagina se fosse um Gang?

Abc armon

Caboverdiano disse...

Yes Dai, foi um pent fino prop! Hahahaha. Enfim, tcham erri...

Abrass, e bom fim de semana

 
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